Brasil não reduz morte e infecção por aids
O Brasil está perdendo a batalha contra dois dos principais indicadores de aids: o número de novos casos e as mortes pela doença. Dados divulgados nesta quarta-feira, 30, pelo Ministério da Saúde mostram que as taxas registradas no ano passado de infecções e de óbitos são praticamente as mesmas relatadas há dez anos. É como se todo o avanço científico nesse período não tivesse trazido benefícios ao País.
As taxas de mortalidade cresceram nas Regiões Norte e Nordeste e caíram no Sudeste, entre 2005 e 2015. Como consequência, a estatística nacional fica inalterada. São 5,6 óbitos a cada 100 mil habitantes. A diretora do departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, atribuiu o problema sobretudo a falhas de atendimento em determinadas regiões e ao diagnóstico tardio.
Uma das estratégias do governo para reverter esse quadro é tentar antecipar o diagnóstico e o início do tratamento de pacientes Atualmente, cerca de 112 mil pessoas no Brasil vivem com o HIV e desconhecem essa condição. Pelos cálculos do Ministério da Saúde, outras 260 mil sabem que têm o vírus, mas não querem iniciar o tratamento. "Hoje não há mais dúvidas de que essa é a melhor estratégia. Tratamento é o que temos de melhor para pessoas com o vírus", disse Adele.
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que pessoas que resistem ao tratamento "merecem apoio psicológico e espiritual". Ele afirmou haver ainda preconceito em relação à doença. "Muitos jovens temem o bullying dos colegas."
Para o coordenador de projetos da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Juan Raxach, o problema é fruto sobretudo das lacunas de informação relacionadas à aids. "Um exemplo emblemático é o Rio Grande do Sul, que concentra dados epidemiológicos alarmantes. No Estado mais afetado, praticamente não existem campanhas de conscientização, ações educativas, distribuição de preservativos, nada."
Homens com homens
Um dos pontos que mais provocam preocupação é o aumento de casos de aids entre a população jovem masculina. Na faixa de 20 a 24 anos, a taxa de detecção dobrou entre 2005 e 2015, passando de 16,2 casos por 100 mil habitantes para 33 casos por 100 mil. Entre homens, a redução de casos novos ocorreu apenas na faixa etária entre 35 e 49 anos. No grupo feminino, a tendência foi inversa, com redução do número de casos na faixa etária de 20 a 49 anos.
O maior avanço da doença ocorre entre homens que fazem sexo com homens. Esse é considerado como um dos grupos mais vulneráveis à infecção. O problema não vem de hoje e há tempos vem sendo alvo de alertas por representantes de organizações não-governamentais e especialistas em HIV-Aids. Em 2015, a forma de contágio homossexual representava 22,6% dos casos novos da doença identificados entre a população masculina. Esse porcentual subiu de forma expressiva durante esse período. Ano passado, essa forma de contágio representava 36,5%.
Para tentar conter esse avanço, o Brasil vai implementar no primeiro semestre de 2017 o uso de antirretrovirais entre pessoas saudáveis, como forma de evitar a contaminação pelo HIV. Batizada de Terapia Pré-Exposição (PREP), a estratégia está prevista para ser implementada em todas as capitais e ficará restrita à parcela da população considerada mais vulnerável à contaminação: homens que fazem sexo com homens, travestis, profissionais do sexo e casais em que apenas um dos parceiros tem HIV. O Dia Mundial de Luta contra a Aids será celebrado nesta quinta-feira, dia 1° de dezembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Zika: Infecção traz problemas a 1/3 dos bebês
Um estudo que acompanhou 57 gestantes paulistas infectadas pelo zika reforça a hipótese de que o vírus pode causar diversos danos aos bebês além da microcefalia. E as anomalias podem acontecer independentemente do trimestre de gravidez em que a mãe foi infectada.
Coordenada por Mauricio Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e integrante da Rede Zika (força-tarefa formada por pesquisadores de São Paulo apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp), a pesquisa monitorou 1.200 grávidas do interior, das quais 57 tiveram a confirmação de contaminação pelo vírus zika, com casos de infecção em todos os trimestres da gestação.
Após todos os partos, os pesquisadores verificaram que nenhum dos bebês nasceu com microcefalia, mas, ao realizarem exames mais aprofundados, descobriram que 35% das crianças desenvolveram alguma anomalia. "Vinte dos 57 bebês nasceram com algum tipo de má-formação discreta, como surdez unilateral, danos na retina, cistos cerebrais ou inflamação em artérias cerebrais. O próximo passo é investigar a importância desses achados no desenvolvimento da criança", explica o cientista.
Nogueira diz que há situações que comprovam que o bebê pode ser prejudicado, mesmo se a contaminação pelo vírus ocorrer no fim da gravidez. Em um dos casos, a mulher contraiu a doença com 36 semanas de gestação e, mesmo assim, o bebê nasceu com sinais de infecção cerebral. "Os resultados indicam que a microcefalia deve ser mesmo só a ponta do iceberg, ela não deve ser o fenômeno mais provável entre os que o zika pode causar. Muitas crianças devem ter desenvolvido alguma anomalia mais leve que não foi notada. Se esses 20 bebês, por exemplo, não estivessem participando da pesquisa, sairiam da maternidade como crianças normais, porque tinham peso e perímetro cefálico dentro do esperado", afirma.
Pesquisa realizada por cientistas da Fiocruz e publicada em março no periódico The New England Journal of Medicine já mostrava que 29% dos bebês de mães que tiveram zika apresentaram alguma anomalia, mesmo quando a infecção era tardia, ou seja, nos últimos meses da gravidez.
Outros estudos.
O grupo de pesquisa de São José do Rio Preto conduz ainda outros dois estudos sobre a ação do vírus zika. Em um deles, os cientistas estão monitorando há um ano um grupo de 1.500 pessoas para verificar, por exames de sangue, quais foram infectados mesmo sem sintomas. Isso porque, no caso da dengue, a estimativa é de que apenas 20% das pessoas infectadas sejam sintomáticas, o que aponta que os números das epidemias sejam muito maiores do que os registrados pelo Ministério da Saúde.
A outra pesquisa busca saber se os diagnósticos de zika e dengue estão sendo dados corretamente, uma vez que, em períodos epidêmicos, eles costumam ser feitos apenas por critérios clínicos e epidemiológicos, sem a realização de exames. "Colhemos cerca de 1.500 amostras de pessoas que passaram por serviços de saúde e receberam diagnósticos por critérios clínico-epidemiológicos. Verificamos que cerca de 15% das pessoas que saíram do serviço com diagnóstico de dengue tinham, na verdade, zika; enquanto 20% a 30% dos que saíram achando que tinham zika estavam com dengue", conta.
Nogueira explica que o diagnóstico correto é importante tanto para definir as providências a tomar em cada caso, de acordo com as possíveis complicações de cada doença, quanto para que os dados de saúde pública não tenham distorções. "Se o governo for avaliar se oferece uma vacina contra a dengue na rede pública, por exemplo, ele precisa saber o real alcance da epidemia." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Pinda disponibiliza vacina contra caxumba
Devido ao diagnóstico de alguns casos isolados de caxumba em Pindamonhangaba, a Secretaria de Saúde da cidade alerta sobre a importância da vacinação para prevenir esta doença. A caxumba é uma doença infecciosa causa por um vírus e é transmitida através do contado direto com uma pessoa infectada.
A vacina SCR (sarampo, caxumba e rubéola) está disponível durante todo o ano nas salas de vacina das unidades de saúde. Adultos que acima de 20 anos que já tomaram a dose única recomendada só precisam tomar a vacina novamente se entrarem em contato com um paciente diagnosticado com a doença.
A vacina de rotina é dada para crianças de 12 e 15 meses em duas doses e de um a 19 anos também em duas doses com um intervalo mínimo de 30 dias.
Zika: mulher pode ter risco maior de infecção
Os vírus que armazenam seu código genético no RNA, como o da zika - diferentemente daqueles que armazenam essa informação no DNA, como o da herpes e da catapora -, enfraquecem o sistema imunológico vaginal, retardando a resposta das defesas do corpo à infecção e dificultando a detecção do vírus na vagina. Isso pode aumentar o risco de infecção do feto durante a gravidez. A conclusão é de um novo estudo publicado nesta quarta-feira, 16, na revista científica internacional Journal of Experimental Medicine.
O novo estudo foi liderado por cientistas dos Institutos Gladstone, ligados à Universidade da Califórnia em São Francisco (Estados Unidos).
De acordo com os autores do artigo, a descoberta sugere que as mulheres são mais suscetíveis à transmissão sexual de vírus de RNA e elas têm mais dificuldade que os homens para eliminar a infecção do corpo. "Nossa pesquisa reforça os resultados de estudos epidemiológicos que mostram que as mulheres têm um risco maior de infecção por zika", declarou o autor principal do artigo, Shomyseh Sanjabi, pesquisador dos Institutos Gladstone.
"O amortecimento da resposta imune vaginal é especialmente preocupante, porque dá ao vírus mais tempo para se espalhar e chegar ao feto, se a mulher estiver grávida ou engravidar durante a infecção", disse Sanjabi. Para fazer a pesquisa, os cientistas infectaram camundongos fêmeas de forma sistêmica - como acontece quando a transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti - e também pela vagina.
Normalmente, células infectadas liberam as moléculas conhecidas como interferon, que formam uma primeira linha de defesa contra a infecção. O interferon inicia o combate ao vírus e - o que é mais importante - alerta as células vizinhas que o corpo está sendo atacado, desencadeando a reação de todo o sistema imunológico.
Depois de três dias, os animais que foram infectados sistemicamente apresentaram uma forte resposta de interferon e começaram a eliminar o vírus do organismo. Enquanto isso, os animais infectados pela vagina ainda tinham níveis extremamente altos do vírus e nenhum sinal de interferon. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Suspeita de zika exigirá mais ultrassons
Gestantes com suspeita de zika atendidas na rede pública de saúde passarão a fazer dois exames de ultrassom durante o pré-natal em vez de um. A mudança, que atende a uma recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), passa a valer no fim deste mês.
Além da ampliação do número de exames, o novo protocolo deverá trazer uma série de orientações para médicos e profissionais de saúde para o tratamento de gestantes com suspeita ou portadoras de chikungunya, doença também transmitida pelo Aedes aegypti que, a exemplo da zika, traz o risco de ser transmitida durante a gestação para o bebê.
Ao contrário do vírus da zika, o maior risco de transmissão da chikungunya da mãe para o bebê ocorre nos três meses finais de gestação. O contágio pode fazer com que a criança nasça com problemas graves de saúde, provocados principalmente pela ação do vírus no sistema nervoso.
O diretor de Vigilância em Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, disse em entrevista que não há nenhuma orientação para que a gestante com chikungunya faça o parto cesáreo. “As avaliações deverão ser caso a caso. Não há uma indicação clínica específica para isso”, disse. Ele observou, no entanto, que haverá recomendação para que se verifique a necessidade de se adequar a rede para um eventual aumento da demanda por UTIs para os bebês.
Hage afirmou que o governo deverá reforçar os preparativos da rede pública para enfrentar um eventual aumento de casos de chikungunya no País entre a população em geral. A expansão da doença preocupa por três razões. Primeiramente, ela é conhecida em outros países por provocar epidemias explosivas. Além do grande número de casos, a doença pode tornar-se crônica, exigindo da rede pública não apenas atendimento no setor de urgência, mas na rede especializada, sobretudo com direcionamento ao alívio da dor e de problemas nas articulações. Há, ainda, um número expressivo de mortes relacionadas à doença. “A taxa de mortalidade é de 0,4 caso a cada 100 mil habitantes”, disse Hage – indicador semelhante ao da dengue.
O problema, no entanto, é que há um grande número de pessoas suscetíveis ao vírus no Brasil. “Não sabemos o motivo, mas a chikungunya, quando chegou ao País ficou concentrada em dois Estados, somente agora ela se expandiu”, afirmou à reportagem o infectologista da Universidade Federal de Pernambuco Carlos Brito.
Números
Agora, no entanto, o vírus já está presente em todos os Estados e a doença parece despertar. O número de casos relatados neste ano é dez vezes maior do que o identificado em 2015. Até agora, foram registrados 236.287 pacientes com a doença, enquanto no ano passado haviam sido identificados 23.431 casos. A epidemia está concentrada no Nordeste e a tendência, na avaliação de especialistas, é de que o comportamento se replique em outras regiões, caso medidas de controle do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, não sejam adotadas de forma eficiente.
O manual de esclarecimento, afirmou Hage, deverá conter informações sobre como diferenciar os três tipos de infecção provocada pelo mosquito – dengue, chikungunya e zika -, a forma de atendimento, os medicamentos que podem ser adotados e aqueles que devem ser evitados. “A ideia é fazer um protocolo integrado, com abordagem para os três tipos de infecção”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Surto de microcefalia cresce no Rio e em SP
Há um ano o Ministério da Saúde emitia um alerta inimaginável até mesmo para os maiores infectologistas do País. Em uma portaria publicada no dia 11 de novembro de 2015, o Brasil decretava emergência em saúde pública por causa de um surto de microcefalia causado por um vírus recém-descoberto em território nacional. Desde então, 2.079 casos da má-formação foram confirmados e outros 3.077 seguem em investigação, a maioria no Nordeste.
Passado o baque inicial e sem a pressão dos holofotes internacionais, esforços prometidos pelos governos para barrar novos casos da doença e amparar as famílias com bebês vítimas da má-formação parecem ter sido insuficientes. Pela primeira vez, a epidemia de microcefalia ganha força no Sudeste, com aumento expressivo de casos confirmados no Rio e em São Paulo nos últimos meses, conforme apontam dados inéditos tabulados pela reportagem a partir de estatísticas do Ministério da Saúde.
Enquanto Recife, epicentro da crise inicial, vive estagnação nos registros - 64 até agora -, o Rio já é a capital com a maior tendência de alta, ocupando a segunda posição no ranking de municípios com mais casos confirmados (110). No Estado de São Paulo, o número de crianças com microcefalia comprovada triplicou entre agosto e outubro, passando de 14 para 46. Juntos, os dois Estados têm ainda 700 registros da má-formação em investigação.
O Ministério da Saúde afirma que não há um período de pico de casos no Sudeste. "Os dados são contabilizados nas estatísticas na semana em que foram confirmados, mas muitos se referem a registros de bebês nascidos meses atrás. De maneira nenhuma o risco pode ser minimizado, mas os números registrados mês a mês no Sudeste se mantêm estáveis", diz Eduardo Hage, diretor do Departamento das Doenças Transmissíveis do ministério.
No Nordeste, as crianças vítimas do primeiro surto da má-formação completam um ano enfrentando ainda a falta de vagas em centros de reabilitação e demora no acesso à atenção especializada.
Para mostrar os impactos da microcefalia na vida das famílias, o Estado acompanhou de perto os primeiros 12 meses de vida de quatro bebês de Pernambuco e São Paulo afetados pela epidemia. Nascidos entre setembro e novembro do ano passado, Alessandro, Laura, Matheus e Pérola foram vítimas da síndrome congênita do zika, doença até então desconhecida pela ciência e que, além da microcefalia, pode causar danos a órgãos como visão, audição e articulações.
Passado um ano do alerta de emergência do ministério, a rotina e a batalha das quatro crianças e de suas famílias mostram que tão cruel quanto as sequelas da doença são as limitações impostas pela falta de assistência médica adequada, desestrutura familiar, demora nas ações governamentais, pobreza e desigualdade social.
Centros de reabilitação prometidos pelo Ministério da Saúde não saíram do papel. Os locais de tratamento seguem concentrados nos grandes municípios, dificultando o acesso de bebês do interior do País. O transporte para as capitais, de obrigação municipal, também vem sendo dificultado pelas prefeituras, principalmente após o fim do processo eleitoral. Medicamentos para sequelas da microcefalia estão em falta nas farmácias do SUS.
Os resultados dessa paralisia estatal são visíveis na evolução do quadro de cada bebê e na qualidade de vida conquistada. Quanto mais cedo fossem iniciadas as terapias de estimulação, melhores as condições de desenvolvimento da criança com microcefalia, repetiam os médicos logo que a epidemia foi descoberta. As histórias acompanhadas pela reportagem reforçam o impacto que uma boa assistência multidisciplinar - ou da falta dela - tem no destino de cada criança.
Apesar do esforço dos profissionais de saúde e de instituições filantrópicas no atendimento aos bebês já afetados e de todas as forças-tarefa montadas por pesquisadores para tentar entender e barrar a nova ameaça, as primeiras vítimas dessa emergência parecem ter, ao longo do último ano, caído no esquecimento. Para bebês como Matheus, que tiveram condições econômicas para buscar um tratamento adequado, os bons resultados começam a aparecer. Já para aqueles que dependem exclusivamente dos serviços públicos para ter a oportunidade de superar as limitações, como Pérola, Alessandro e Laura, resta torcer para que o descaso sofrido no primeiro ano de vida fique no passado a partir de agora.
73 países tem casos de zika e 26 de microcefalia
Um ano depois da primeira identificação do surto de zika no Brasil, a OMS ainda não tem respostas para a maioria dos desafios ou novos instrumentos para lutar contra o vírus. Mas tem certeza de que a doença chegou para ficar e que governos e sua própria estrutura terão de trocar uma estratégia de emergência contra a microcefalia por uma resposta de longo prazo para ajudar as famílias afetadas.
Desde 2007, 73 países registraram a transmissão do vírus. Desses, 67 foram alvo de surto desde 2015. Mas em pelo menos sete deles, a situação aponta para uma crise endêmica. Em 12 países, a OMS identificou a transmissão de pessoas para pessoas, numa indicação do poder do vírus em contaminar por meio do contato sexual.
Nesse mesmo período, 26 países registraram um salto em casos de microcefalia e outras más-formações "potencialmente associadas com o zika". Na semana passada, os últimos a registrar casos de microcefalia foram Bolívia, Trinidad e Tobago e Vietnã. Em 19 países, o aumento de casos foi da Síndrome de Guillain-Barré.
Considerando ser "impossível" medir todas as pessoas contaminadas pelo vírus, a OMS se limita a contar os casos de microcefalia e de Guillain-Barré. Assim, até quarta-feira, a organização somava 2.257 casos de microcefalia pelo mundo. Cerca de 10% deles aconteceram fora do Brasil. O País lidera a lista, com 2.079 casos, ante 54 da Colômbia e 28 nos EUA.
Para a OMS, não há dúvidas de que a proliferação vai continuar e que o vírus "se instalou" de fato em países tropicais. Isso, na avaliação dos especialistas da entidade, vai exigir uma mudança no comportamento da resposta e até mesmo dos serviços de saúde dos países atingidos. "Teremos zika em todos os países que registrarem a presença de mosquito", disse Monika Gehner, porta-voz da OMS.
A OMS sugere que, a partir de agora, a meta não seja apenas a de parar o mosquito. Mas preparar os serviços de saúde para uma resposta de longo prazo para atender crianças afetadas, além de suas famílias.
Dúvidas
Um ano após iniciar o trabalho, porém, a OMS está sem resposta para quase todos os aspectos da doença. Não há, por exemplo, respostas sobre as linhagens do vírus e por que em locais como o Brasil os casos de microcefalia explodiram e, em outros, não. "Estamos vendo um número cada vez maior de casos na Ásia e indicando que qualquer que seja a linhagem, os problemas serão identificados", indicou Monika.
Ela admite, por exemplo, que até hoje a organização não tem uma resposta a dar sobre o motivo pelo qual os casos de microcefalia no Brasil deram um salto importante, enquanto na Colômbia a taxa é muito menor. Documentos obtidos pelo Estado apontam que a OMS quer, até o final de 2017, intensificar investigações para tentar entender qual é de fato o impacto do vírus em fetos e recém-nascidos.
Estão em falta os instrumentos para parar a doença. Produtos contra o mosquito Aedes aegypti não seriam suficientes. Duas vacinas já começaram a passar por testes, mas sua comercialização ainda não tem data e, na melhor das hipóteses, estariam no mercado em 2018. "Podemos levar mais dois ou três anos para ter uma vacina", disse Monika. As informações são da Agência Estado.
Mortalidade infantil cai 38% em 15 anos na região
A RMVale tem a 9ª menor taxa de mortalidade infantil entre 17 regiões do Estado. O indicador é considerado o principal da saúde pública pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
No ano passado, a região registrou 10,4 mortes de crianças menores de 3 anos por mil nascidos vivos. O índice é 2,8% menor do que a média estadual, de 10,7 por mil. É o que aponta balanço realizado pela Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a Fundação Seade.
Com 8,4 por mil, São José do Rio Preto tem a menor taxa do Estado. “É um número que podemos superar”, disse Maristela Siqueira, diretora do DRS (Departamento Regional de Saúde), com sede em Taubaté. “Diminuir a mortalidade infantil é um trabalho que não para e vem sendo feito com grande emprenho pelas cidades da região”.
De acordo com a pesquisa, a RMVale teve 34.062 crianças nascidas no ano passado, com 354 óbitos. Entre 2000 e 2015, a região derrubou em 38,1% a taxa de mortalidade infantil, resultado que a colocou 10ª colocação do ranking estadual. Em 2000, o Vale do Paraíba tinha taxa superior a 16 por mil. Em 2014, a taxa foi de 11,5.
A região que mais reduziu a morte de crianças, em 15 anos, foi Franca, com 49,2% de queda no período. Em todo Estado, o indicador caiu 37,1%.
Segundo Maristela, o trabalho foi reforçado na RMVale nos últimos quatro anos para reduzir a mortalidade infantil. “A região foi uma das quatro escolhidas no Estado para intensificar as ações. O reflexo é a redução na mortalidade”.
Três profissionais do DRS foram destacados para trabalhar diretamente com os municípios. Eles atuam em atenção básica, saúde da mulher e saúde da criança.
Pais da pequena Emilly, 9 meses, Mateus Henrique Honório, 21 anos, e Ruth Maria, 19 anos, fizeram todo o pré-natal na rede pública de saúde. “Ficamos bem tranquilos. Foi tudo bem”, disse.
Ministério vai distribuir de testes rápidos de Zika
O Ministério da Saúde anunciou a compra de 3,5 milhões de teste rápido para identificar o vírus Zika. A previsão é que dois milhões de kits sejam distribuídos até o final deste ano e o restante até fevereiro de 2017. A produção do insumo será feita pelo laboratório público Bahiafarma. Atualmente, o teste ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS) é o PCR (biologia molecular), que só detecta a doença durante no período de viremia, quando o vírus está presente na corrente sanguínea.
A tecnologia confirma, em 20 minutos, se o paciente está ou já foi infectado pelo vírus Zika em algum momento da vida. Ou seja, com a tecnologia será possível identificar o vírus no organismo, independentemente do tempo de infecção.
O teste será realizado em pessoas que tiverem sintomas da doença e com indicação médica, sendo que as gestantes e crianças terão preferência. O teste é composto por duas tiras portáteis em que são depositadas as amostras de soro dos pacientes a serem analisadas. A primeira tira vai identificar infecções recentes, de até duas semanas, anteriores à realização do exame. A segunda vai identificar se a pessoa foi infectada há mais tempo, tudo isso dentro de 20 minutos. Com essa maior agilidade no resultado, o tratamento pode ser iniciado imediatamente, se tornando mais eficaz, já que o contágio pode ser confirmado assim que surgem os sintomas da doença.
Ao todo, foram investidos R$ 119 milhões para a aquisição dos testes sorológicos, com projeção para garantir o abastecimento da rede por um ano. A negociação com a Bahiafarma permitiu a compra no valor unitário de R$ 34,00, quase quatro vezes menor que o valor proposto por outra empresa do mercado, de R$ 131,75 por teste. A compra foi feita por meio de licitação dispensável, quando é permitida à administração pública a contratação de produtos ou serviços em que a transferência de tecnologia é estratégica ao SUS. A medida está prevista na Lei nº 8.666/93.
O desenvolvimento do teste rápido contra o Zika é fruto da parceria entre o Governo da Bahia e a empresa sul-coreana Genbody Inc., que firmaram um acordo de transferência de tecnologia para a Bahiafarma.
